
Nenhuma Nudez será castigada...
Prazerosamente, dava-se a pensamentos profundos, gostava de sonhar, sentia-se rica ou pobre, graças aos sonhos imaginava ser bailarina, Barbarella, voava e adentrava a densidade das florestas, banhava-se das flores despetaladas, uma carícia na alma –lado belo da vida – sentia-se até feliz!
Homem e mulher. Surgiram ao mesmo tempo, não querem contar, há um imenso receio que seja necessário queimar Livro da Gênese. Leio, pesquiso há mais de três décadas, se de um reflexo da luz, de um sonho ou de dentro de uma flor. Um dia descobrirei e contarei a todos. Duvido que não seja da água em simbiose com o Sol e a Lua, vejo que a água é um ambiente sensual, engravida, pura mágica, permite movimentos lentos, eróticos, reúno no coração os quatro elementos – fogo, água, terra e ar – e descubro que a beleza está em toda parte, fazem do perfil humano o interessante da vida, poucos comuns, sem artifícios e retoques.
Ameaçam-me rotular de ambígua. Sou. Sou poetisa, e é essa a razão de quererem fazer amor comigo – não resisto a seus doces lábios, tocando meus seios, deixam-me mais excitada para a vida.
Cultivo Sonhos – com S maiúsculo -. Apaixonei-me e pensei que fosse para sempre. Roubo rosas nos jardins secretos de ricos, e não me sinto uma ladra, sou doce e meiga, fotografo com olhos de pantera o sorriso de alguém especial que vira eternidade. Contemplo a cidade adormecida, e entendo que somos irmãs na solidão, do alto do apartamento não encontro meu ninho, volto e beijo teu retrato tão intensamente que fico com os lábios dormentes e o coração vazio, corro para o meio da multidão na tentativa de esquecer que sinto falta do Senhor Desejo.
Caminhei quilômetros inóspitos com vontade de comer estrelas – fuga, tentativa de ser livre e amada, embaralhei-me toda no cotidiano, encontrei quem não queria.
Gosto de tomar sol, nua, me enrolar, vampiresca, serpenteio, esperando um descuido para cravar as unhas no deus grego, minhas asas são brancas, e seios lindo como um anjo diabólico, no alto de um castelo, e mãos capazes de muitos feitos, de muitas carícias...Sou Poetisa. Sou erótica.
Seria tão bom que o senhor Desejo soubesse o quanto a entrada dele na casa exigia uma dose de cumplicidade, que agisse como um anjo de sensualidade, e esquecesse a natureza de lobo, e não de uma maneira tão egocêntrica e possessiva – um bárbaro. Os Bárbaros costumavam tomar vinho em canecas de bronze – jamais conheceram uma taça de cristal.
Limites, limites sempre o mesmo tema, e sempre a invasão, a desobediência, ato grave. Expuseram meu corpo, entretanto resguardei minha alma – esta continua intocada.
O tempo dos mínimos gestos grosseiros, hostis, não terminou, serão uns dias históricos – transformou-me num oásis. Deixo-me, agora, ficar quietinha, fingindo ser estátua de Roma, a espera de reinaugurar meu leito, quando o homem certo chegar – sair dos meus sonhos noturnos e entrar na minha sala real, se aproximar entre brumas, suavemente apertar minha mão, e sussurrando me dá um sorriso tocando-me devagarzinho, como se toca uma flor já madura, procurando espaços na intimidade – inesperadamente.
Poética