Diário Intimo da Poética


28/03/2006


Anatomia do tesão


Anatomia do Tesão

Com carinho e paciência explorou a anatomia daquele corpo de Lobo- e dali a pouco sentiu a imensidão ereta do membro colossal na cavidade bucal – atingindo duro e quente o céu palatino. Salivadas de prazer do ir e vir. Mesmo casado – eu o amei e penso que ele a mim...

O tempo vivido com ele foi maravilhoso e passou tão rápido...hoje o procuro em meu leito á noite, aquele que foi meu amado amante inesquecível e não o encontro...não o encontro.
A lua me parecia tão poética – me enrosquei naquele corpo másculo e calvagando-o beijei-lhe, e fizemos um lindo amor.

Desde aquele dia minha vida virou trezentos e sessenta graus –
Inconformada, me nego a curvar aos padrões patriarcais que vêm sendo impostos pela sociedade. Consciente que somente a infidelidade do homem é aceita pela sociedade, zombo da historicidade humana, que ao descobrir, no período neolítico, que o homem tem papel na procriação, derrubou o matriarcalismo, onde a mulher era endeusada, não como dominadora mas, como a única responsável pela procriação - Deusa da Fertilidade - se rebelou usando, no decorrer dos séculos, todas as formas para dominar o gênero oposto. Garantindo, assim, a certeza da paternidade da sua prole. Para isso utilizaram inúmeros métodos: política, mitologia, religião, meios de comunicação e outros. (risos... acabei de dar uma. É que eu sou uma constante militante na política de gêneros, apesar de não atuar em movimentos feministas. São muitos retrógrados e bitolados). Em minha plenitude leoa, sempre tive paciência ao escolher uma presa: observava e estudava cada passo e traço e, no momento oportuno o tomava para mim. Sempre foi assim. Até que iludida por um amor romântico, me entreguei e, confusa no conceito de amor, abri mão do meu eu para ser uma mulher passiva, dedicada, discreta e exemplar dona de casa. Ou seja, feminina. Minha máscara caiu. Meu ensaio foi bom mas, acabou. Descobrindo-me novamente como ativa, autônoma e talvez dominadora, me sinto leoa. A libido jorrada em meu sangue não é mais consumida totalmente por meu homem. A cada dia que passa se acumula, tornando-me incontrolável e inconsolável. Meus múltiplos orgasmos não me satisfazem mais. Estou a ponto de cometer uma loucura. Talvez sensatez . Encontro-me desvairada para saciar meu desejo. Diante de tanta transformação, em tão pouco tempo, ainda penso o que fazer pois, meu desejo é transeunte. Faz algum tempo que ando tanto me estudando quanto aos mais diversos homens. Sou meticulosa na escolha. Atualmente tenho brincando em fantasiar, e isso tem encharcado, mais ainda, de libido, meu corpo de mulher. Quem lucra, é meu parceiro mas, ele nem sabe o que me torna tão insaciável. Diante de tanto desejo, quase que satisfeita, tenho masturbado. Não sinto falta de um grande e poderoso falo, quanto à demais mulheres. Sinto falta de novas e avassaladoras emoções. Meu corpo sente dores profundas na ansiedade de saciar-se chegando a ponto de senti-lo se contraindo seguido por uma grande dor que se aproxima de uma cólica fazendo com que a minha vagina se molhe e se abra feito uma rosa cada vez mais rubra em seus vasos encharcados de sangue. É desesperante. Minha libido deve ser consumida. Há um desequilíbrio. Covarde que sou ao me consumir noites e madrugadas adentro fantasiando os mais loucos e ardentes encontros, me negando ao prazer, pelo medo de me tornar vil. Mas corroída, a fim de não me tornar Messalina: uma ninfomaníaca que nunca alcança seu total; decidi acabar com a covardia me entregando para outro a qualquer custo.
Poética

Escrito por Poética às 16h08
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