Diário Intimo da Poética


25/04/2007


MEDITAR

                  

                       Meditar

Imaginei, um dia, que seria maravilhoso ter domínio sobre
os meus pensamentos e emoções.Em poder ficar
tranqüilissima mesmo quando há um monte de problemas
me cercando - esperando uma solução.
Quando há muitos anos comecei a meditar,incentivada
por um amigo, descobri quanto eu não sabia aproveitar
o tempo que dedicava a mim mesma. A meditação  me ajudou
a derrotar a ansiedade, a tristeza -trouxe-me tranquilidade.
Não foi fácil no inicio. Sentava-me em um cantinho da casa
e tentava visualizar um céu azul. Um céu azulzinho,limpo,
sem nuvens. Ajeitava o corpo na almofada, fechava os olhos
e nada de aparecer...Mas de tanto insistir, apareceu um
céu desbotado, com jeito de letreiro luminoso meio quebrado.
A intuição me dizia que teria dali para frente uma longa
batalha e o mais dificil ainda estava por vir. Quem disse que
eu conseguia  me concentrar? Em poucos segundos, já estava
pensando nas coisas que precisava fazer depois que saísse dali.
Um zen fracasso.E foi neste exato momento da minha existência
que descobri que possuía uma mente fraca e descontrolada.
Eu, que  me achava tão absoluta - dona do meu nariz, tão
esperta, simplesmente não conseguia dominar o que passava na
minha cabeça.Perceber que havia um turbilhão lá dentro,
responsável pela minha ansiedade e outros sentimentos
negativos, me trouxe uma maravilhosa lição de humildade e
uma vontade louca de treinar e de aprender.O ato de meditar
me trouxe a descoberta de procurar o lado alegre das coisas
e também que não me sinto desligada do universo e sim mais
conectada a ele.
A mente funciona como um computador: os pensamentos são...
inúmeros, entretanto eu posso somente acessar o que desejar.
Escrevo desde os 12 anos de idade - numa fase-turbilhão, onde
aconteceram fatos e perdas com pessoas que eu amava. Esse tempo
deixou em mim sequelas iguais a tatuagens definitivas na pele...
A diferença é que a tatuagem fica na pele impressa e experiências
nada agradáveis se metabolizam no coração e mente.
A prática constante da viagem ao centro do Eu, exige  esforço e
dedicação, trouxe-me tranquilidade. A confiança passou a ser um
estado natural. E quando me deparo com uma frustração, penso:"Não
obtive o que queria, mas está tudo bem". É uma alegria descobrir
que a tempestade não está em você.

                    Fátima Pessoa

Escrito por Poética às 17h08
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